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Cap. 17 - Comentário Final
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A Natureza é inspiração Divina feita criação.
A cultura é o espírito humano feito ação.
Os ensinos de uma alimentação sã e estimulante nunca
têm fim. As novas experiências e os
resultados de progressivas investigações
levam a conhecimentos mais completos. Assim aparecerão
novas doutrinas dietéticas para ocasionalmente
completar, modificar, ou porventura substituir as
antigas.
Embora antigamente os alimentos fossem apreciados sobretudo pelo seu conteúdo
energético, sabemos hoje muito sobre os seus
efeitos especiais com respeito às funções
dos tecidos, dos órgãos e do organismo
no conjunto.
Este tipo de teoria funcional certamente fomenta na atualidade muitos descobrimentos
sensacionais. Temos de procurar entrar nos efeitos e reações
de ordem espiritual e anímica. Talvez então
possamos ter uma visão completada alimentação. Conhecemos hoje cada vez melhor que toda a nossa vida
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corporal, espiritual e intelectual está totalmente influenciada
pela composição e preparação dos
nossos alimentos.
Nos que consumimos ocultam-se energias insuspeitadas. A vida sã tem, como
tudo aquilo que é bom, belo, verdadeiro e culto, uma forma e uma norma. O seu
respeito é obrigatório na nossa alimentação.
Toda a nossa vida, com todas as suas manifestações fisiológicas,
psicológicas e intelectuais, desenvolve-se sobre a matéria e as substâncias que
introduzimos no nosso organismo e que literalmente assimilamos. A transformação
desenvolvida com rapidez inconcebível dos materiais e das energias do nosso
corpo é um dos sintomas de vida. Sabemos que a mudança de matérias se efetua com
tal velocidade que fica absolutamente renovada em dois ou três anos.
Encontramo-nos aqui perante um mistério da criação. O material, ao fim de poucos
anos, já não é o mesmo, embora o corpo, com as suas características e traços
próprios, seja o mesmo, de modo que ao cabo de muitos anos reconhecemos, sem
mais nada, a mesma pessoa, apesar dos materiais de que é composta terem sido
mudados na sua totalidade. Não é, portanto, o material o essencial no ser
humano, mas sim aquilo que não é matéria, a forma em que cada mudança representa
o permanente.
Contudo, não nos podemos recusar a reconhecer no material o lugar que lhe
corresponde, e também sabemos que o nosso organismo é algo mais do que um
simples laboratório químico que transforma noutras formas de energia os
materiais nele introduzidos, para continuar a dar impulso à "máquina humana".
Finalmente, não podemos deixar de citar algo que faz parte de toda a
alimentação civilizada: a ação de graças dada ao Criador de todas as graças, na
forma de oração, que ao mesmo tempo significa um momento de íntimo recolhimento.
Ninguém pode pôr em dúvida o que certo palaciano declarava aos seus comensais,
que o alimento se torna mais suportável ao nosso corpo quando se come com a consciência limpa.
A nossa alimentação não serve apenas para a conservação da saúde, o
estado original e desejado por Deus para o homem, mas também nos dias da doença,
cuja natureza e termo nos são desconhecidos, pressupõe uma força paliativa
auxiliar e curadora. É intimamente satisfatório perceber essa força e saber onde
tem a sua origem.
Fim do Capítulo 17
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